terça-feira, 9 de abril de 2013

As cartas que nunca mandei




Primavera
 Deveria te odiar pelo que me fizeste passar, mas só consegui chorar enquanto bebia alguns goles da pinga ruim do armário do meu avô e lembrar em que momento a massa desandou, o bolo solou e você teve que procurar alento em braços que não eram os meus. Li vários livros depressivos ou ouvia qualquer música e chorava, mas aos poucos estou me reerguendo. Dói ainda lembrar e cada dia que parecia eterno. Tentei fixar minha mente na carreira, trabalho e amigos e você passou a ser apenas a saudade que gosto de ter. Masoquista eu sei, gosto de sofrer. 

Verão
Calor, praia, sol, verão. Dizem que é a estação da pegação. Eu, porém não ando “pegando” ninguém. Tudo eu comparo, desde a abordagem até o sexo, e as pessoas me fazem ficar com tédio muito facilmente. Lembro-me de você ainda, pelas poucas ligações que ainda me faz e que corro rapidamente pra atender no primeiro toque. Considero um amigo, alguém que quero bem, apenas e tento reafirmar a mim isso a todo instante. Será?

Outono
Que droga! Me descobri cuidando de você ainda que longe. Preocupei-me com a cirurgia que fez perto das férias e só recebi recados monossilábicos como resposta. Masoquista! Eu sei. Todos nós gostamos de amar e dispensar tempo a quem não nos dá a mínima e dizem que o fazemos pelo simples fato de nos tornar mártires de nossos próprios sentimentos, eu, contudo acredito que quando se ama alguém de verdade (amor e não paixão) se faz de tudo mesmo que seja um mínimo diante de tudo o que se fez um dia.

Inverno
Cartas guardadas. Nova etapa: viver. E por vezes viver não é lembrar e sim esquecer!

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