segunda-feira, 21 de julho de 2014

Amores plantados

Eu levantava todos os dias e me punha a regar o nosso amor. Regas diárias, podas semanais, conversas quase que intermináveis, adubo, pesticida. Na verdade criei uma redoma, quase que invisível, na tentativa que seres externos não pudessem destruir o que plantei com tanto sacrifício e vi crescer por entre pedras e espinhos de maneira dificultosa, e que mesmo assim se tornou forte ao fincar as raízes de maneira única no solo.
Coloquei o nosso amor num vaso na sala de casa, num lugar contemplativo e pedi que cuidasse dele durante a semana que estive fora. Quando voltei, no entanto, as flores que estavam brotando estavam caídas no chão e as folhas de um amarelado fúnebre. Lembro que se desculpou uma vez, e eu, com um aceno de cabeça, aceitei o que disse, embora com o coração doído com sua displicência tamanha.
Coloquei nosso amor novamente num vaso de contemplação, no lugar onde passa todos os dias. Não esquece que agora quero ajuda para cuidar dele. Não o posso fazer sozinho. Infelizmente se não houver cuidado dos dois, ele morrerá sem grandes chances de reverter o caso. 

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