sexta-feira, 6 de março de 2015

As lembranças do que não vivi.

Não lembro uma vez de ter ido à praia apenas para molhar os pés ou ficar observando o quebrar das ondas como espectador passivo daquele fenômeno. Nunca gostei de ser coadjuvante. Eu corria para a água, sentia as ondas espancarem meu corpo, o sal cortar meus lábios e a demora em permanecer ali enrugar meus dedos das mãos. Não era ali uma paisagem solitária e sim eu como participante daquilo tudo. No viver não é diferente. Desaprendi desde o nascer a ser raso, a ser mais um, a ser o cara não notado na mesa do restaurante. Às vezes passar despercebido é bom, mas não como regra. No trabalho eu nado, pego carona nas ondas, jogo pra cima com as mãos litros de água. No amor mergulho, me entrego, me afogo, me salvo. Logo, não entendo quem vive de carona, de observar apenas, de não ser.
Não lembro de ter entrado em alguma coisa com o objetivo de desistir, sempre pensava nos louros da glória final e no êxtase de cruzar a linha de chegada. Claro, inconscientemente não fomos preparados para perder e nem muito menos para fazer o nada por nada, muito menos eu me propunha começar alguma coisa para abandonar logo de primeira. Nunca funcionou isso pra mim. Essas minhas lembranças de não ter sido, só me fazem pensar que a vida é mais que desenhar nomes na areia que a são facilmente apagados e sim construir castelo, que mesmo destruídos, serão lembrados por mais tempo.

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