domingo, 17 de maio de 2015

Ainda não acabei de gostar de você

Já conto nos dedos, como presidiário que conta sua saída do cárcere, o infeliz dia em que tu deixarás de estar comigo. Já ouço o barulho do relógio batendo em compasso de despedida, a ausência do seu cheiro nos lençóis da cama, a falta de sua bagunça na cozinha. Tu vais, eu fico. Fico sem rumo, fico sem chão, fico sem você. Vais porque é melhor pra ti, mas não melhor pra mim. Sou egoísta porque lhe quero ao meu lado todos os dias dessa vida e das demais que possa lhe perseguir, entretanto não mando nas suas vontades e apenas pego as chaves da porta em minha mão esquerda enquanto lhe vejo passar o umbral desta pela última vez.  Não vá, peço quase que em sussurro, ainda não acabei de gostar de você. 

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