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Mostrando postagens de Março, 2018

A gente não pode ser só tristeza

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Nós ficamos indignados todos os dias. O noticiário só traz miséria, tristeza, morte, violência. Sim, temos vontade de chorar, mas a gente engole o choro e esquece por alguns instantes, porque viver precisa também ser um pouco prazeroso, por isso sambamos, cantamos, brincamos, nos divertimos, ainda que em corações vez ou outra pese uma agonia, uma angústia. Esquecemos por instantes. Nós nos fazemos deslembrar de quão cruel pode ser a vida, colocamos máscaras em nossos rostos, parecemos não nos importar com o que vemos, lemos, sentimos, num lampejo de esperança de que ao levantarmos de nossas camas no dia seguinte tudo tenha melhorado de alguma forma. E essa esperança é o que nos alimenta a seguir em frente nesse mundo tão complicado.

Ausências?

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Falando dia desses com uma amiga psicóloga, ela disse que quem escreve se expressa muitas vezes melhor do que quem faz análise. Talvez seja a escrita uma forma de análise na qual não pagamos ao terapeuta no final exigindo a notinha para que abatamos no imposto de renda. A escrita fala tanto de nós que talvez nem saibamos mensurar quanto. Hoje minha análise é sobre ausências e como ela nos afeta como um soco inesperado no estômago. A gente não nasceu, definitivamente para sermos sós. Não nos ensinaram em nenhum lugar ou nos prepararam para que estivéssemos sozinhos em algum momento. Já adianto que não falarei de solidão e ser solitário e aquele velho discurso de que um não quer dizer o mesmo que o outro, coisa que já estamos carecas de saber. Falo de estar só, sem referências para o mundo, em um lugar em que as pessoas se preocupam tanto com seus salários e seus ganhos que se matam de trabalhar a ponto de não estabelecerem com outro qualquer tipo de relação por mais simples que seja. P…

Me chame do que quiser

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Me chame pelo seu nome é um livro foda. Não assisti ao filme com medo de que as palavras ali contidas sejam destruídas pela atmosfera que nem sempre o cinema consegue recriar. Talvez o assista um dia, talvez. Mas o que tem de tão diferente em um livro que conta a história de amor de um adolescente de 17 anos por um professor mais velho que vem passar as férias de verão em sua casa em algum lugar da Itália? Tudo. O protagonismo LGBTQ numa época em que ainda se matam homossexuais no mundo inteiro apenas pelo simples fato de serem quem são, já é por si só um soco no estômago. E tem o erotismo sutil em uma relação de amor que poderia ser construída por qualquer um. Não é apenas um livro sobre gênero ou sexualidade. É um livro sobre seres que se amam e têm que aceitar que mesmo que isso seja bom, vivem num mundo em que a hostilidade fala mais alto por vezes e a gente é obrigado a usar máscaras que se moldam de tal maneira à nossa personalidade que não sabemos mais o que é máscara e o que s…

Poesia sua

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Quando leio Augusto dos Anjos, nunca sei se ele é parnasiano ou simbolista, talvez realista ou profeta, ou muito dos dois ou nada disso. Não concluo, apenas permito dizer que ele poderia me ter conhecido em botequim por aí, caída, vencida, jogada aos vermes, hipocondríaca, escarrada (não beijada). Sou uma poesia de lixo. Sou uma quimera. Sou aquilo que nem sei. Sou? Talvez. Sou incertezas, um vento que se agitou em algum canto distante do globo, a incerteza de muitos e a verdade de poucos. Hoje me sinto vencida. Hoje nem me sinto. Desculpe a ousadia grandioso poeta, acho que sou uma poesia sua.

Júlia Siqueira