segunda-feira, 12 de março de 2018

Me chame do que quiser


Me chame pelo seu nome é um livro foda. Não assisti ao filme com medo de que as palavras ali contidas sejam destruídas pela atmosfera que nem sempre o cinema consegue recriar. Talvez o assista um dia, talvez. Mas o que tem de tão diferente em um livro que conta a história de amor de um adolescente de 17 anos por um professor mais velho que vem passar as férias de verão em sua casa em algum lugar da Itália? Tudo. O protagonismo LGBTQ numa época em que ainda se matam homossexuais no mundo inteiro apenas pelo simples fato de serem quem são, já é por si só um soco no estômago. E tem o erotismo sutil em uma relação de amor que poderia ser construída por qualquer um. Não é apenas um livro sobre gênero ou sexualidade.
É um livro sobre seres que se amam e têm que aceitar que mesmo que isso seja bom, vivem num mundo em que a hostilidade fala mais alto por vezes e a gente é obrigado a usar máscaras que se moldam de tal maneira à nossa personalidade que não sabemos mais o que é máscara e o que somos nós. O livro nos desnuda, nos faz refletir sobre o que queremos ser e o que realmente somos. Faz-nos descobrirmos.
Chorei copiosamente quando o finalizei. Por praticamente dez ou vinte minutos, não sei, fiquei processando cada palavra lida e aquela história de amor atemporal. Aprendemos que os amores vão e vem, mas indubitavelmente tem aquele que marca a nossa existência e tatua a nossa alma, seja para o bem ou para o mal. As histórias de amor são aprendizados e aprendi com o Élio e o Oliver que elas precisam ser vividas, sem culpas, sem medo, sem neuras, afinal esse breve instante que chamamos de vida, não pode ser apenas um aglomerado de arrependimentos, mas uma coletânea de experiências.

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