domingo, 2 de outubro de 2016

Curto ensaio sobre a vida...

Somos sementes. Caídas no chão, brotamos, buscamos aprofundar nossas raízes para depois fortalecer as nossas estruturas. Mudamos como as estações mudam. Somos invernos, somos verões, podemos sorrir na primavera e sermos austeras no outono. Parimos sementes que o vento insiste em carregar para longe de nós. Damos sombras para piqueniques, oferecemos nossa casca para apaixonados escreverem seus nomes entrelaçados e emprestamos nossos galhos para acolher pessoas e animais brincarem. Envelhecemos. Trocamos as nossas cascas, agora nosso caule aparenta ser mais grosso que outrora, tamanhas as cicatrizes colecionadas com o passar dos anos. Daqui  um tempo morrerei, alimentarei animais com o meu tronco apodrecido, mas continuarei vivendo na vida das sementes eu pari, como coadjuvante das fotos onde vivi, nos casamentos que vi nascer como simples romance adolescente. Serei uma lembrança nos corações de quem, de mim, lembrar. Somos sementes e somos eternas. 

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