Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2020

Não vamos para o céu!

Imagem
Vai ser difícil chegar ao céu. Sim, porque a gente, inevitavelmente, não é tão bom que não deseja o sumiço, a distância ou a morte de alguém. Às vezes, desejamos que tudo isso nos aconteça, e só aí, contabilizando rapidamente, já cometemos um dos pecados mais abomináveis para a nossa querida sociedade cristã: matar. Mas já nascemos atinados para o crime – confesso-me ao padre cansado de minha paróquia -, pois assassinamos animais inocentes para comermos, entre um hambúrguer e outro o sacrifício de pobres vaquinhas indefesas para alimentar nossa gula, que aliás é um outro pecado, talvez não tão grave quanto esse que vos falo, mas que agora parece piorado. Isso porque não contei os outros pecados cotidianos cometemos, muito menos abri uma planilha e os elenquei por gravidade, pois se assim fizesse a ansiedade já teria me corroído inteira. Não vamos para o céu! - conclui entre o final da confissão e as orações receitadas como penitência pelo velho padre, talvez por pensar tão fora d

Nova volta ao redor do sol

Imagem
Em breve acontecerá um alinhamento energético e os planetas estarão na mesma posição em que estavam há trinta anos. E então, em meio ao caos cosmológico, nascerei outra vez, mais atento e mais firme daquilo que quero e daquilo que sou. Todas as inseguranças passadas se transformarão, todas as dores cessarão por alguns segundos e poderei vislumbrar um universo de possibilidades radiantes em minha frente. Dançarei ao lado do sol sem medo algum de queimar a pele, abraçarei as estrelas, tocarei planetas, amarei o porvir. Minha energia transcende e sai de todos os poros de meu corpo e sou retroalimentado pelas vibrações positivas do universo. O mundo se admira com tamanha felicidade irradiada de mim e eu prometo que farei dele um lugar melhor. Assim seja.

É doce morar no mar

Imagem
Fito o mar e com o vai e vem das ondas me despeço. Entro na arrebentação e desejo que as águas salinas temperem meu corpo. Fecho os meus olhos, abro os braços, solto minha respiração e levanto uma prece para a Iemanjá. Quero que ela me leve para sua mansão de corais no meio do Oceano. Já não sou mais capaz de morar nesta terra. Seria doce morrer no mar, disse Caymmi certa vez. Não quero morrer, quero morar no mar. Quero a calma e o agito, a bonança e a tempestade. Quero peixinhos a nadar por mim e em mim. Quero o mar. Posso? Adeus.