À Deus (Adeus)


Arrumei tudo o que tinha e coloquei numa maleta pequena, cabia tudo de que precisava ali. Saí porta afora, passos rápidos e sem olhar para trás para que o arrependimento não batesse e eu voltasse como tantas outras vezes que já cheguei a perder as contas. Tomei o primeiro trem, bilhete só de ida, mala embaixo do assento, longe da janela para não me perder em pensamentos bobos. Em cima do aparador da sala um bilhete, letras desleixadas, afinal escrevi entre a pressa e o tremor incessante de minhas mãos. Cinco letras, uma palavra, uma carga pesada: Adeus. Sempre achei esse vocábulo forte demais, mas era necessário.
Adeus. Vou não porque deixei de te amar em algum momento, muito pelo contrário, lhe amo com todas as forças que existem em mim. Vou, pela simples razão de que quanto mais aqui fico, menos consigo me amar. Adeus, e à Deus meu futuro.

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