O preço da liberdade


Um dia desses eu quis ser livre, sabe?! Li-ber-da-de! Assim, separando as sílabas e com exclamação no final para que a entonação fique impositiva, de ordem. Banho de mar pelado num domingo em Copacabana, pôr do sol no Arpoador em plena terça, cerveja gelada com frango à passarinha na muretinha da Urca. Contemplação. Paz. Liberdade, para mim, estava no poder fazer pequenas coisas, mas para mim também estava em não depender da opinião alheia, da forma como o outro me idealiza.
Queria planejar uma viagem para o leste europeu, passagem só de ida, sem a possibilidade remota de ficar checando horários, contabilizando datas e sem a preocupação de qual país estou. Afinal isso aqui é a Bósnia ou a Lituânia?
Queria e quero tantas coisas, mas por hora quero ser livre. Livre para poder encontrar meu lugar ao sol e quebrar a cara com minhas escolhas. Sentir o peso de minhas responsabilidades batendo na minha cabeça, mas sem alguém para me avisar que eu deveria ter realizado a reunião com o fornecedor chato há 4 dias. Quero ser negligente com os outros, para ter cuidado comigo.
Me cuidar... é isso. Tem liberdade maior?
Desconheço ainda, mas conhecerei.

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