terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Felizes para sempre?


Acontece que fomos condicionados, desde a mais tenra idade, a buscar o feliz para sempre das fábulas infantis, naquele universo surreal em que patinho feio era um incompreendido cisne, as princesas e heróis tinham suas vidas facilmente resolvidas pelos laços de amor que os unia, amor este que por muitas vezes era à primeira vista e que se selava rapidamente com um casamento e filhos, como uma receita simples e rápida para a felicidade, entretanto esse mundo não existe e a fábula não consegue encontrar respaldo na realidade. É aí que vagamos na floresta encantada de prédios cinzentos e gente distraída, procurando alguém que complete as nossas frases e atenda os nossos desejos. Infelizmente, esse alguém não existe.
Não existem pessoas prontas, no mundo não há bons ou maus, nesse maniqueísmo fuleiro que a mídia tenta vender, encontramos pessoas que nos satisfazem aqui e ali ou completamente devido a alguns poucos ajustes. O problema é que não gostamos ou não temos paciência para as adequações. Ajustar gostos e afinidades? Jamais. O produto tem que vir em ótimas condições e atender os desejos do cliente e em caso de defeito devolve-se à fábrica na certeza de reembolso ou troca imediata. E o felizes pra sempre lá dos livros, lá do nosso inconsciente, ganha uma interrogação quando se deveria haver um ponto final, afinal a infantilidade de algumas fábulas, em nossas vidas, fez morada.  

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