domingo, 25 de janeiro de 2015

Lembrem das crianças de Gaza

Minha infância foi roubada por uma bomba "amiga". Nasci entre corpos mutilados e pessoas ensanguentadas ali naquela guerra que eu não sabia a razão de existir. Chorei alto para que o meu choro suplantasse os bombardeios na casa de meus avós como se prenunciasse a nossa despedida quando deveria ser o nosso primeiro contato. Corria com medo pelas ruas desertas. Era refugiado, sem pátria, sem um lar para chamar de meu. Um dia morávamos nos arredores de Rafah em outro não sabia pronunciar o lugar pra onde ia. Não tive amigos, porque não tive raízes, não tinha com quem brincar, pois minha mãe pouco deixava sair. Perguntava a ela o porquê de tantos tanques na fronteira, certa vez, e ela disse que eram vigias a nos espreitar. E o que fizemos de errado? – questionava. E ela, olhos marcados pela dor e conformidade de quem também entendia pouco de tudo isso, apenas sussurrou entre dentes: - Nascemos aqui. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário