domingo, 22 de janeiro de 2017

Sampa

Fotografias têm o poder de nos projetar para lugares e muitas vezes maximizá-los ou minimizá-los. Explico: quando fui ao Rio de Janeiro, esperava encontrar um Cristo Redentor estupendo, que conseguisse tocar os céus de modo a chamar os anjos que ali perto estivesse, mas senti um desapontamento crescer quando percebi que esse “grandalhão” se faz pequeno quando estamos perto dele. Talvez siga a lógica do próprio Jesus, original, de se diminuir para estar em nosso meio, sei lá, mas mesmo tendo recitado internamente essa explicação por dias, confesso que me senti um tanto frustrado. Acredito que essa seja uma frustração parecida quando se encontra pessoalmente alguém desses aplicativos de paquera e se vê que não era nada daquilo que se idealizou. Esse é um problema global entre os seres humanos, o de idealizar e fantasiar uma coisa que talvez não corresponda à realidade.
Em contraposição a isso eu sempre (SEMPRE) tive uma imagem um tanto negativa de São Paulo. Achava suja, desordenada, estranha, avessa. Nunca seria o lugar que eu colocaria para passar as férias, achava pop demais, piegas demais. Todo nordestino nutre um sonho de conhecer São Paulo, falava meu avô. E eu sempre nutri o desejo de nunca ter que pisar os pés naquela loucura em forma de cidade que os jornais me forneciam como sugestão.
Hoje, passados quatro dias de estadia entre a Liberdade e a Vila Madalena, no Ibirapuera e no MASP, tenho que confirmar que Caetano não errou quando cantou que a cidade é como o mundo todo, pois concordo com ele em todos os gêneros e graus possíveis. Vi hippies, punk’s e patricinhas convivendo harmonicamente, gays e lésbicas manifestando publicamente seu amor, senhorinhas simpáticas vendendo flores na rua, senhores conversando calmamente nas lanchonetes, pais carregando seus bebês enquanto observavam mães ávidas por compras. Observei o mundo em apenas uma avenida que não era apenas Paulista, mas acolhia todos os estados brasileiros e abraçava os cinco continentes como uma grande mãe.
Fotografias ainda podem enganar, sim, é verdade, mas poder dizer que se enganou com um pré-julgamento e saber reconhecer isso da maneira mais digna e feliz possível, não tem preço. Eu amo a Bahia, mas meu coração agora pode amar São Paulo também. 

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