quarta-feira, 1 de maio de 2013

Que país é esse?




Os indígenas chamavam de Pindorama, na certidão tem República Federativa do Brasil ou puramente Brasil, mas eu não sei mais como chamar a nação que nasci. Tantas coisas importantes a serem feitas e nós cruzamos os nossos braços pra discutir besteiras. Nós, sim. Os políticos não são tão somente culpados pela nossa mania arcaica de escolhê-los. E não reclamemos de falta de informação porque hoje ela atinge a todos. Quantos mensalões, leis tortas, maracutaias, precisam acontecer para que acordemos pra vida? Ou melhor, quando acordaremos pra vida? Se é que já não estamos todos anestesiados pela gana de galgar um lugar ao sol ou loucos para fazer parte de toda essa sujeira. Dá nojo.
Hoje levantando da cama, clamando para que seja um dia melhor, Murphy sobrepõe os meus desejos pela força de sua lei cortante. Tudo que está ruim sempre pode piorar. O deputado Marco Feliciano, agora inventou de criminalizar a heterofobia. Como assim? Tentei vislumbrar as seguintes situações:  – Olha, você está sendo despedido do emprego porque você é hétero e nós não toleramos nessa empresa este tipo de comportamento, ou melhor alguém passa na rua e grita: - Ei, seu heterozinho! Herege, você vai pro inferno! Até agora não entendi o princípio de tal projeto. Mas como tudo sempre pode ser pior, uma outra notícia dá conta de que um outro deputado, que me foge o nome da cabeça, decidiu criminalizar a morte de animais durante os sacrifícios do candomblé. Será que acham que todas as galinhas, seja de granja ou caipira, para serem consumidas se espera que elas morram de causas naturais?
Não existe coisa melhor pra esses políticos pensarem? E as fiscalizações dos projetos de lei emperrados porque o dinheiro público está sendo destinado para outros fins? E as farras, o nepotismo, as irregularidades não são mais urgentes do que criminalizar banalidades? Parafraseando Cazuza, Brasil sua cara é de corrupção e ignorância, e quem paga pra gente ficar assim somos nós mesmos que somos tão sujos quanto os que estão nas assembleias e ministérios. Com tantas dessas, me dá vontade de rasgar meu titulo de eleitor, mas ainda o considero minha maior arma. Acordemos!

Um comentário:

  1. Temos a nossa responsabilidade em todo processo em que o homem se enquadra. O problema é que nos acostumamos a projetar a nossa responsabilidade para outras figuras (políticos, padres, heróis, e por aí vai). Enquanto nos preocupamos em ter o nosso lugar ao sol muita coisa acontece por aí. Uma PEC 37; Mensalões; políticos ficando milionários com o Programa Minha Casa Minha Vida; pastores manipulando a fé do povo; os falsos heróis de chuteiras e bola no pé; a mídia que se esforça em fazer o povo saber o que ela quer. Entretanto, uma coisa me amedronta: poucas pessoas se importam com tudo isso... Nietzsche ainda nos lembra que muitos preferem fazer a vida passar. Isto tudo é muito triste para não dizer trágico.

    ResponderExcluir