domingo, 15 de maio de 2016

Narciso

Eu vivi ou vivo? Não sei... Eu reclamo todos os dias de minha vida e me prostro esperando uma intervenção divina sobre ela (mesmo não crendo em Deus). Um trabalho melhor, pessoas que sejam minhas amigas, dinheiro suficiente para não me lamentar pelos cantos e uma droga qualquer que me faça ter lapsos de alegria. Eu vivo? Não sei. Estou vivo, acredito.
Eu amei. Uma, duas, dez. Em cinco dias amei três pessoas, mas elas não correspondiam aos meus interesses. Depois da conquista fiquei entediado e perdi o interesse. Mas quero me relacionar, preciso, ainda que eu saiba que vá existir uma frustração ou outra por conta do meu temperamento narcisista não declarado. Eu preciso de alguém... Alguém que preencha e atenda todos os meus pré-requisitos mal formulados.
Eu sou autossuficiente. Ergui muros diante de mim que me blindam contra o mal, maldigo, mas não tolero que falem de mim. Sou o bastante, mesmo que em mim haja a necessidade de aplausos e aprovações, elogios e concordâncias, afinal minha estima é baixa e isso me enaltece entre os demais.
Eu não sou, mas sou. Meu ego é o espelho de Narciso, onde o meu reflexo é também minha danação. Minha beleza é externa, meu ser é passageiro. Eu sou tudo e sou nada. 

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