domingo, 29 de maio de 2016

Sobre viver e mudar

O homem primitivo era aventureiro. Nômade, ele buscava melhores condições de vida em lugares inusitados, e dessa necessidade ele atingiu lugares nunca imaginados, ocupando a vasta extensão territorial da Terra. Mas esse homem antes desbravador começou a ficar preguiçoso (sedentário seria a palavra mais correta), a agricultura e a criação de animais o havia deixado estável, não precisando mais correr riscos e percorrer grandes distâncias para que a sua fome fosse resolvida. Então ele viu que deveria viver sua vida para o amanhã, pensando num futuro que por vezes não viria, investindo em construir um império seguro diante de si, mesmo aqueles mais miseráveis pensavam no porvir.
Mas que é que nos dá segurança? Um emprego estável, pessoas em quem confiar, um imóvel quitado e um carro com prestações prestes a serem pagas, um plano de saúde e um seguro de vida caríssimo? Essa é a nossa meta de vida? Ficar no esquema trabalho – estabilidade – salário – trabalho? Planejar um futuro do qual nem sabemos se iremos usufruir dele?
É, nossa vida tem sido assim. O espírito aventureiro de outrora foi enterrado por inúmeras camadas de sedimentos, e passamos a vida inteira preocupados com o futuro. Este, portanto, foge de nossa alçada, de nosso entendimento, de nosso planejamento. O futuro é uma fábrica de surpresas e tem ele nas mãos aqueles que têm a capacidade de eternamente ousar e ser diferente. Ousemos, mudemos, a vida é surpreendente quando não se está do lado da plateia. 

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