quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Eu sou o sol

Ele controlava meus caminhos, ele ditava meus passos, pé ante pé era vigiada pelos olhos mais argutos. Respirava o ar que me era destinado, rarefeito, sujo, cheio do hálito fétido do esgoto de vida que levava. Estava no limbo, vegetava, mas o amava. Amava ou havia desenvolvido Estocolmo? Não sei. Minha vida era uma página escrita por mãos alheias, meus desejos eram do alheio antes de serem meus. Memórias eram quadros envelhecidos numa parede cheia de teias e bolor. E eu... ah eu era distante de mim, e sabia disso. Era (pretérito imperfeito)...
Hoje? Hoje sou presente! Libertei-me do cárcere que me prendia. Ele, porém, ainda irradia, contraditoriamente mexe com meus sentidos mais profundos e profanos, mas não é mais o verão que me aquece nos dias de frio, nem molha mais meus lençóis, nem cuida minuciosamente de minha vida. Ele continua brilhar como vagalume pronto pra recolher sua presa no cupinzeiro. E eu... Ah, eu hoje sou o sol.

Júlia Siqueira

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