quinta-feira, 28 de julho de 2011

O copo jogado no lixo




Me vesti com a pele de cordeiro mais bonita que encontrei em meu armário e saí para a caça. Antes disso, reli todas as cantadas fajutas, porém eficazes, que já havia pré-selecionado. Você seria apenas mais um café que pediria no boteco, sorveria o líquido e depois jogaria o copo fora. No local combinado percebi que você já estava. Impaciência era o seu sobrenome, eu percebi, pelas diversas vezes em que retirava o celular do bolso para ver algo que não me interessava saber.
Com o tempo fui percebendo que você era diferente. Sei lá, havia um brilho diferente no olhar, um jeito novo de se expressar, que fiquei tão absorto em meus pensamentos e na sua conversa que não vi o tempo passar. Ao chegar em casa porém, percebi que não necessitava te ligar mais, afinal só queria um encontro e nada mais, embora dentro de mim algo dizia que você merecia que eu fosse legal contigo.
Passaram-se os dias, semanas e meses e você por insistência, ou por ser legal mesmo, sempre puxava conversa, sempre se mostrava agradável. E eu achava isso um saco, afinal ninguém é tão simpático com quem não conhece direito.
Você sumiu, eu senti sua falta, reconheço. O que anda acontecendo comigo? Não percebi o quanto você conseguiu ser tão presente em tanto tempo. Agora já era! Hoje vi você passar na rua. Te cumprimentei, e você sorrindo e disse oi. Te olhava a todo instante e você nem aí pra minha presença, divertia-se conversando com suas amigas. Será que aquele copo de café que eu joguei no lixo pode ser reciclado?


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