quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

História de uma concha



Foi da calcificação mineral de elementos desconhecidos do grande público que surgi. Tinha a forma arredondada, disforme, feia. Não possuía glamour qualquer, nem mesmo em meu nome: concha era como me chamavam. Alguns usavam as minhas irmãs, conchas como eu, para adornar suas casas, as crianças nos adoravam, brincavam conosco, separava cada uma para alguém muito especial para elas e assim dava sentido a nossa vida sem sentido. Foi então que certa vez uma criança pegou-me em suas mãos pequeninas e me devolveu ao mar dizendo-me: - SEJA GRANDE! Aquilo me soou como um desafio e então pedi para que as ondas do mar me levassem para o fundo do oceano. Demorei anos ali, fechada em mim mesma, planejando e refletindo como era ser grande num mundo maior que eu. Mas o tempo das esperas chegara ao fim e eu tinha algo de grande para mostrar, algo que saíra de meu interior, fruto de minhas ambições em cumprir aquele desafio. Era uma esfera pequena, redonda e de rara beleza. Era minha filha. Perguntaram pra mim um cardume de peixes: - Como vai se chamar? E eu disse que terias um nome tão grande quanto o que representa pra mim. Chamei-te de PÉROLA.
Foi assim que uma simples concha depois de enclausurada em si por tempos pode reabrir-se para a grande novidade de ser GRANDE.

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