domingo, 13 de maio de 2012

De onde vêm os amores?


De onde vêm os amores, pergunto-me todos os dias. O grande amor que tive em minha vida, tirando meus pais, apareceu sem avisar e me pegou desprevenida, como um assaltante em uma rua movimentada. Ele queria roubar meu coração, mas eu, idiota que fui, o dei sem pedir nada em troca. Cuide dele, disse apenas. E ele o encheu de esperanças novas, outras bem velhas e gastas e mais algumas recicladas. E eu? Aceitei tudo, afinal precisava encher esse velho músculo em meu peito de coisas diferentes.
E num belo dia de sol, o astro rei não sorriu pra mim. Acabou, fim, the end. Esforçar-me pra entender eu tentei e fiquei nisso por horas, dias, meses, até que desisti. Como tanto amor assim pode virar apenas um “hello, como você tá?”. E do outro lado você querendo se fazer de forte e diz um “tá tudo ótimo e com você?”, quando na verdade você quer gritar e demonstrar a todos que não tá nada bem e que você ainda precisa ouvir a voz dele no celular, que sente falta dos “eu te amo”, que quer voltar e acordar desse sonho ruim. Mas por outro lado o mundo te diz pra ser forte, não demonstrar sentimentos, ser fria. Como? Nunca aprendi a transformar tanto em nada. De onde vêm os amores, pergunto-me todos os dias. Quem souber me avise, quero fechar esse comércio não lucrativo.

Júlia Siqueira

Um comentário:

  1. Como é divino ter o dom de transformar sentimentos em palavras, arrepiei!

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