terça-feira, 1 de maio de 2012

A fábula das cores


No planeta Amarelo tudo corria bem. O topo das árvores amarelas cintilava com a luz do sol, os pássaros amarelos cantavam e voavam de um lugar para o outro, a paz caía sobre aquele lugar monocromático. As pessoas também eram assim, amarelas por dentro e por fora. Até que um dia, tudo mudou. No calendário marcava dia 02, dia em que uma só criança transformou o destino das pessoas de seu planeta. O fato: ELE NASCEU AZUL. Os médicos queriam que a mãe o matasse após o parto, alegando que ele era uma anomalia e temendo que ele não vingasse, mas ela foi totalmente contra dizendo que se Deus o fez assim, Ele tinha um propósito. E ela tinha razão.
O menino cresceu, por anos, camuflado. Todos os dias seus pais o pintavam de tinta amarela para que pudesse ir pra escola, brincar e fazer as atividades rotineiras. E ele aceitou resignado até o dia em que resolveu assumir a sua cor. Minha alma é azul, minha cor é azul, não posso viver escondendo minha identidade apenas porque as pessoas se chocariam com isso, - dizia ele. E resolveu assumir o seu eu.
Durante os dois primeiros meses os noticiários do planeta Amarelo espalhavam de maneira preconceituosa a revolta do garoto azul. Mas a sua força deu chances para que as pessoas tirassem o disfarce amarelo para que pudesse surgir naquele lugar pessoas de todas as cores. Anos depois, os vermelhos se casavam com os outros azuis e tinham filhos roxos. E aquele lugar até então monocromático nunca mais foi o mesmo. A paz agora se estendia como uma bandeira colorida e todos eram muito felizes.
E então a mãe do garoto azul soube que pra ser realmente feliz a gente não precisa se esconder dentro certos de parâmetros sociais e agradecida e com uma cumplicidade ímpar olhou para o céu e sorrindo falou com Deus: - Agora entendi o seu propósito. 

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