segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Uma história pra não esquecer


Não sei onde estou! Se me encontro em um futuro distante ou em um passado próximo, vivendo o agora em um lugar que não há calendários, relógios ou qualquer mecanismo que seja capaz de contar o tempo. –Temos nosso próprio tempo – disse-me uma mulher gorda e sagaz, de dentes alinhados e sorriso sincero enquanto ajeitava os seus óculos esquisitos em seu rosto.
Naquele lugar que nem sabia o nome ouvi histórias feitas pra esquecer, de reis e rainhas que passaram cola em seus tronos e jazeram ali com os traseiros grudados para nunca sair do poder. De pessoas que usavam os seus corpos como tapetes, escadas, rampas para o povo passar. De crianças que andavam de ré e idosos que caíram em abismos por andar sempre pra frente. Nada ali soava normal. Nada ali aparentava o mínimo de normalidade.
Foi quando um forasteiro ali chegou. Trazia em suas mãos um enorme embrulho, todos os olhavam admirados. - O que será que traz ali? – falou a criança tropeçando em seu skate. - De onde vem? – falou uma mulher-tapete. O burburinho quanto ao que trazia o homem aumentava. Ele subiu até a torre alta da Igreja e ali colocou um relógio grande e ajustou-o de acordo com o que trazia em seu pulso. Marcava 14h23min.
A falta do tempo marcado em compassos, segundos, minutos, horas, dias, deixaram as pessoas desorganizadas, a vida maluca. As pessoas não sabiam mais quem eram, pra onde iriam, de onde vieram e um simples relógio e com ele um novo tempo, trouxe novas formas de se viver. As pessoas deixaram de ser tapetes para os outros pisarem e escada para subirem, os poderosos perceberam que a cola os deixavam atrofiados em seus corpos e isso fazia com que logo morressem, as crianças souberam que andar pra frente é melhor e os idosos entenderam que sempre há uma hora pra recuar. A vida ali voltou a existir. E a história se tornou uma pra não ser esquecida.

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