segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Parabéns colegas (professores)!

Nunca soube e talvez nunca saiba o que é ser um bom professor, o que é ministrar uma boa aula, como entreter e satisfazer as aspirações de 45 alunos em sala de aula.
Mas estou aqui para parabenizar a minha classe, da qual sinto orgulho e vergonha algumas vezes. Sinto orgulho daqueles que ganham R$ 900,00 e trabalham com verdadeira maestria, porque não estão ali simplesmente pelo salário, mas por honrar a profissão na qual se formou e por nela ainda acreditar.
Entristeço-me por professores que gritam por salários de deputados e desempenham papel medíocre (que nem eles) e só trabalham pelo salário. Tem profissional que é um desrespeito à classe: não se preocupa com o aluno, não se envolve com a escola, não participa dos projetos, só chega atrasado, sente-se o dono da verdade, não colabora, não coopera, só passa trabalho e cópias livrescas. Nunca inova! Só vai para sala de aula para falar da vida pessoal, das dívidas que contraiu, do salário medíocre e que tudo é culpa do governo, não leva o aluno à reflexão e no fim do ano quer reprovar todo mundo.
Orgulho-me do profissional que vai às ruas, que grita, que xinga e condena o governo pelo salário medíocre que recebe. Que debate política em sala de aula, que leva os alunos à reflexão. Envolve-se com os projetos da escola, que não vive de fofocas nos corredores, que opina, debate, discute, questiona, propõe, contrapõe... Se frustra quando a nota vermelha impera na média da classe. Zanga. Reclama. Xinga. Diz que vai largar a profissão. Que já não sabe o que fazer, mas no outro dia está lá. Forças renovadas. Salário de miséria! Noites mal dormidas! Mesmo com todas as frustrações uma esperança: quem um dia um dos seus pupilos dê bons frutos. Tem esperança que antes da aposentadoria e até da morte que os governantes lhe paguem um salário digno. Salário que não precise de 80 horas, cursinhos, venda de AVON, Natura, salgadinhos entre outras para complementar a renda familiar. 
Parabéns para você, que mesmo lutando por salário digno, criticando as atitudes arbitrárias do governo cumpre com “seus serviços”, e mesmo sob olhares de reprovação de certos colegas, por ser “certinho”, cumpre com o juramento que fez quando escolheu a árdua profissão de professor.
Parabéns a você professor PST que tem carga horária maior que um professor efetivo, que não recebe décimo terceiro, 1/3 de férias, não tem direito a plano de saúde e fica três, quatro meses sem receber, mas “cumpre com as obrigações” e às vezes se dá mais que certos efetivos. 
Parabéns ao professor REDA que tem carga horária de 18h/aula às 20h/aula em sala de aula e não recebe nenhum centavo a mais por isso.
Parabéns para você que não é valorizado pelo governo, pelos alunos, pelos pais e pela sociedade que não o apoia nas greves. Parabéns para você que tem mais de 200 provas para corrigir no final de semana e feriado prolongado em homenagem ao seu dia. Parabéns para quem contraiu a Síndrome de Burnout, mas é brasileiro e não desiste nunca.
PARABÉNS A TODOS OS PROFESSORES, PELOS SERVIÇOS PRESTADOS À SOCIEDADE.


Cristiane Belém

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