domingo, 6 de julho de 2014

Decepção

De todas as dores que sinto, as físicas e as da alma, nada tem um sangrar mais latente que a da decepção. Ela corta e perfura a carne como abridor de latas enferrujado quando pressionada sobre a carne. Primeiro dói de maneira lancinante e depois vai fazendo sangrar aos poucos, minando sangue por entre as feridas recém-abertas, uma, duas, centenas delas, feitas de maneira minuciosa perpassando pelos chacras e pontos de dor, para que haja mais sofrimento e agonia. Como Prometeu preso no monte tendo uma chaga aberta em que o abutre vem comer, tenho uma chaga maior que alimenta as dores da decepção.

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