segunda-feira, 19 de março de 2012

Cansada

Cansei de esperar você dar um sinal de vida. Então, tive que abandonar seu corpo em uma maca qualquer como um médico faz quando se perde um paciente. Tive a mesma sensação de impotência ao ver o nosso amor sofrendo uma parada cardíaca e perecer, e eu ali sem recurso algum para reverter a situação. Acabou, você morreu mesmo continuando vivo e me restou as lacunas, o vazio e a ausência.
Ele passará a viver agora uma vida novinha em folha, em outro lugar que não quero nem saber onde é ou que ônibus devo tomar para se chegar até lá. E eu, terei a mesma vida, agora sem ele. Não foi culpa dele, houve a morte, mas fui eu já cavado a sepultura.  Jazigo meu, escavado por minhas próprias mãos que não abria a terra, no entanto esburacava o meu peito. Vivi a vida dele sem ele e para ele, traçava meus planos juntos com o dele, visualizava situações nossas que existia apenas no mundo das coisas abstratas, porém ele se foi e agora tenho que inventar uma vida nova ou achar onde esqueci a minha, mas só em perceber o trabalho que terei na tarefa árdua de me reencontrar comigo, me sinto mais cansada. 


Júlia Siqueira

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