terça-feira, 20 de novembro de 2012

Negro



Quando eu ouvia o batuque do tambor na roda de samba meu coração acompanhava o ritmo daquele som, meus pés tomavam as rédeas da situação, meu corpo se contagiava pela melodia alegre das músicas entoadas. Em algum lugar perdido no meu ser, eu era filho de santo, eu era escravo fugido, um príncipe de um reino africano, um escritor do simbolismo, um músico famoso. Mas minha cor era CLARA, um misto de amarelo desbotado e vermelho guarani que não sabia explicar pra mim e nem pra moça do censo. Então como podia ser assim, como podia me sentir negro?  
Minha alma... ah, essa era negra, meu coração era negro, minha vida era negra. Só quem sabe o que é lutar pela liberdade reconhece-se NEGRO mesmo tendo uma cor clara opaca e sem graça. Só quem sabe que não somos apenas frutos de um processo que chamam de mestiçagem ou miscigenação e sim o resultado da resistência de povos guerreiros unidos com o objetivo de buscar a felicidade, sabe que o 'Black is Beautiful'.
Somos brancos, somos índios, somos imigrantes, somos negros, somos irmãos, somos Brasil. E o batuque, esse continua mexendo comigo. 

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