quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Alma dramática, alma de atriz

Drama, esse era o seu sobrenome. Ou seria o seu nome principal? Não sei bem ao certo, mas o que tenho certeza era que essa era a palavra que a definia por completo. Ela queria ser apedrejada como Madalena, chorar as dores de Maria e de Verônica, queria rasgar a alma e expor suas mágoas e tristezas, sair vagando pelo mundo sem um destino traçado lançada a sorte como as folhas que caem e o vento levam em dias de outono. A teatralidade da vida lhe fascinava e isso só podia ser enxergado no sofrimento. Então queria eternamente o sofrer. Amar é para os fracos, - dizia. Ninguém presta atenção na mocinha que tem sua vida abalada por um amor não correspondido, no entanto o sofrimento da vilã que tinha uma motivação, uma vingança e sofria as piores dores no final da história lhe causava êxtase.
Ser trancada no calabouço por anos a fio, ter seus braços presos por uma camisa de força lhe fazia brilhar os olhos. Queria a insanidade, a loucura, o choro com a dor que brota nos recônditos da alma. Queria revelar-se como os antigos dramas do teatro grego. Seria seu drama enraizado na falta de amor? - pergunto-lhe. Não, - dizia ela. Dramatizo porque fui, sou e serei capaz de amar demais.

Um comentário:

  1. Realmente, vc estava certo...muda o título, para os momentos vividos por Virgínia Teles e no final acrescenta : a mim mesma, porque me acostumei como toda relutância do amor ao próximo, quero me desesperar agora por mim, enlouquecer e me apaixonar a cada dia por esta mulher que aceitou com resignação as dores provocadas pelo mundo e por meu encéfalo falante.

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