domingo, 9 de outubro de 2011

A janela


A janela com a tranca quebrada. Consertá-la? Pra que? Já havia me acostumado com o ritual de girar duas vezes a tranca para que pudesse abrir a janela e depois de todo esse trabalho me deliciar com a visão que tinha. Comprar uma nova tranca ou consertá-la  seria quebrar o encanto da simplicidade ao qual me acostumara dia após dia. Era como se aquela tranca quebrada, com toda a sua imperfeição, pudesse me transportar para a beleza do corre-corre das pessoas, do sol nascendo, do canto do sabiá. Não quero me privar desse encanto que só há alguns dias consegui perceber.
Eu era ligado à futilidade. As vaidades materiais eram mais importantes. As extravagâncias me enchiam os olhos. Foi num dia, porém. Igual como todos os outros, que tive uma experiência como a de Jó. Perdi todas as coisas que achava serem importantes pra mim e foi assim que aprendi a confiar mais em Deus e em mim mesmo. Descobri que o sol era mais extravagante que todas as coisas que reluziam em minha frente anteriormente. Delirei nas coisas pequenas da vida e elas se revelaram grandiosas pra mim. Uma tranca quebrada pra você é só uma peça velha, pra mim, porém, é a possibilidade de ser simples e feliz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário